sexta-feira, 23 de junho de 2017

A História Secreta de Twin Peaks por Mark Frost



As corujas podem não ser o que parecem, mas ainda assim têm um papel fundamental: 
elas nos lembram de olhar para a escuridão.
Coronel Douglas Milford

Como eu poderia deixar de comprar, ler, acariciar e manter com todo o carinho em minha estante a belíssima edição nacional A História Secreta de Twin Peaks - romance escrito em forma de dossiê, com recortes, fotografias, documentos oficiais, correspondências particulares, diários e apontamentos? Ainda mais no caprichado acabamento que, felizmente, tentaram seguir aqui na Companhia das Letras, com tradução de Simone Campos e Stephanie Fernandes! É tudo a que um fã incondicional de Twin Peaks e bibliófilo almeja em seu acervo: conteúdo de qualidade e útil na ligação de algumas pontas soltas, aliado a um volume com capa dura gravada em baixo relevo, reserva de verniz e papel de elevada gramatura. Como sempre costumo dizer: em época de livro digital pirata, a edição física precisa seduzir enquanto objeto tátil.

O autor desse romance diferente tinha que ser Mark Frost, co-criador da série junto a David Lynch e seu principal roteirista, por assim dizer. Com essa obra, ele não apenas nos esclareceu sobre alguns dos eventos sinistros que permeiam o norte de Washington há centenas (provavelmente milhares) de anos, como também deu luz a fatos ainda obscuros para quem assistiu às duas temporadas da década de '90 e ao filme prequel Fire Walk With Me e, de quebra, ainda lançou algumas bases para a temporada que, neste momento, está em exibição.

O "romance" inicia-se com o memorando de Gordon Cole para que a uma agente federal identificada apenas pelas iniciais TP analise um estranho dossiê encontrado em local não dito (esse trecho foi riscado no documento). Contudo, somos informado que a caixa de metal (feita sob medida para o dossiê) fora encontrada na cena de um crime. Mais à frente, saberemos quem é essa agente e, ao final, nos será revelado o nome do "Arquivista". Para quem está assistindo à nova temporada, a identidade da agente é fácil de se descobrir. Quanto ao nome do arquivista, apenas descobri com a revelação final.

A edição, além de bonita, é funcional. Nas margens, ao lado de documentos diversos ou apontamentos do misterioso arquivista, há, em vermelho, anotações da analista do FBI, atestando a veracidade das informações ou tecendo conjecturas diversas. Os trechos em letra cursiva, além de esteticamente positivos, conseguiram oferecer fácil leitura (o que, em trabalhos similares que já vi por aí, especialmente em quadrinhos, muitas vezes fica uma tremenda porcaria, quase ininteligível).

Durante praticamente toda a obra, há várias referências a fatos e personagens históricos. No ritmo da leitura, fui pesquisando tais dados como a própria analista faria. E, para minha grata surpresa, Mark Frost elaborou um trabalho primoroso, onde a narrativa histórica oficial norte-americana acabou fornecendo subsídios para todas as suas ilações sobre os fenômenos "paranormais" que permeiam a mitologia de Twin Peaks e, brilhantemente, cruzou tudo com o avistamento de "óvnis" no espaço aéreo americano, embasado em ideias de magistas como Aleister Crowley, Kenneth Grant e Jack Parsons. Ordens secretas não ficaram de fora, especialmente a Maçonaria e nichos ocultistas.

Certamente, você só deve ler este livro se conhecer o universo ficcional de Twin Peaks. Se não gostou da série ou ainda não manteve contato com as duas primeiras temporadas, passe longe da edição - são obras complementares em plataformas distintas.

Abaixo, algumas imagens de meu exemplar.

Abraços e até a próxima.









2 comentários:

  1. linda edição.

    um dia ainda vou reservar um tempo para destrinchar toda a obra desse seriado.

    abç!

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