sexta-feira, 28 de abril de 2017

Clube da Luta de Chuck Palahniuk



Marla Singer; Se eu tivesse um tumor, é assim que eu iria chamá-lo.

Sempre enxerguei adaptação literária para o cinema com parcimônia. É natural que, ao levar obras escritas às telas, boa parte dos aspectos subjetivos (ou adjetivos) se percam, havendo mais ênfase na ação. Cinema é movimento, imagem; literatura, introspecção. Mas há casos onde o filme se mostra bem superior à publicação original e os roteiristas merecem boa parte do crédito por isso. Um desses casos é o Clube da Luta de Chuck Palahniuk, o qual só li semana passada, conquanto tenha visto o filme desde o lançamento.

O livro não é ruim. Longe disso. É bom, mas o filme deu nuances mais interessantes e conseguiu até mesmo dar maior dimensão introspectiva ao protogonista anônimo do que o próprio Palahniuk o fez. Há pequenas discrepâncias, claro, como o fato de se abordar a família de Marla Singer, por exemplo. Outro ponto que me chamou atenção é que não existem aqueles diários lidos no porão da casa na Paper Street, onde um cara afirma que é "o mamilo de Jack" ou "a raiva reprimida de Jack", o que nos dava a entender que o protagonista havia escrito aquilo tudo quando assumira a personalidade de Tyler Durden, ou quiça até anteriormente. No livro o artifício é dado pelo personagem Joe, onde o corpo humano era apresentado a crianças de forma didática, o que não fica a mesma coisa nem nos deixa com aquela pulga atrás da orelha sobre qual seria o nome real do narrador e como suas múltiplas personalidades foram desenvolvidas.

Há sacadas e frases brilhantes no cinema que não existem no livro, como por exemplo a citação em epígrafe a esta postagem. São detalhes assim que nos indicam como uma produção cinematográfica merece realmente ser admirada. Algo similar ocorreu com Forrest Gump, onde, a partir de um livro mediano, obteve-se aquele filme fenomenal.

A edição que comprei foi a capa dura da LeYa com a tradução já consagrada de Cassius Medauar, miolo em papel pólen soft em boa gramatura, ótimo para se ler sem cansar a visão, fontes generosas e espaçamento satisfatório. Em tempos de jovens da geração toddynho brincando de revolucionários com seus iPhones e tênis caros, é uma leitura recomendada para se ver o que poderia ser uma revolução de verdade, feita por gente sem medo de chafurdar no lodaçal e disposta a, talvez, tornar este mundo um lugar ainda pior.

Minha edição encerra-se com o posfácio onde Chuck Palahniuk expõe um pouco das proporções que sua obra tomou após o filme. É interessante perceber como a relação entre um escritor quase anônimo e os leitores muda após a ajudinha de roliúdi, criando uma espécie de gratidão e ressentimento.



4 comentários:

  1. Nossa, é raríssimo o filme ser melhor que o livro! O único exemplo que me vem à mente, na minha opinião, é O Sr. dos Anéis.

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    1. Olha, o caso q mais me espantou foi Forrest Gump...

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  2. De Palahniuk só li o sobrevivente, mas o filme do clube luta nunca esquecerei. Muito do que é dito no filme ressoa em mim como verdade libertadora.

    Essa edição realmente parece que ficou muito bonita. Palmas para Leya!

    baç!

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    1. Ando comprando quase nada. Esse capricho editorial me fez comprar. Ia ler em epub.
      Do autor, ainda quero ler a hq sequência ao romance.

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