domingo, 5 de março de 2017

Pensando sobre quadrinhos e a homenagem do MSP ao Grupo Abril [ republicação de postagem de 05/28/13 do Blog do Neófito ]



Nunca vi o Roberto Civita nem ele teve qualquer importância em minha vida. Não o admiro, ainda mais após o partidarismo de alguns periódicos editados pela Abril contra um ex Presidente da República democraticamente eleito. Se eu fosse um Administrador de Empresas ou alguém interessado na vida dos negócios, certamente o admiraria. Roberto Civita foi um empresário, um capitalista. Era o cabeça de uma família que domina a arte moderna de fazer dinheiro. Não é nada negativo afirma isso. Eu queria ser rico, ora. Quem não quer? Mas é que admiro apenas artistas, grandes homens e pensadores. Quando o Maurício de Sousa falecer, por exemplo, será uma grande perda, pois partirá um grande artista, um cara que sabe criar, que sabe desenhar magistralmente (vejam as histórias desenhadas por ele), um bom escritor. Pôxa, o sujeito que criou a Turma da Mônica. Muita gente fala mal dele por aí, mas não criou nada até hoje, a não ser problemas.

Enfim, para que esta postagem? É que achei muito bonita a homenagem divulgada por aí (em especial no site Planeta Gibi) dos Estúdios de Maurício de Sousa à perda sofrida pelo grupo Abril. Foi ali que o trabalho do Maurício realmente pode se desenvolver. A melhor fase da Turma da Mônica foi na Abril. A Coleção Histórica está aí sendo publicada pela Panini para nos mostrar isso. Mas, certamente, nem tudo na Abril, em quadrinhos, era bom. Na verdade, considero-a a pior empresa que já editou quadrinhos no Brasil. Como sofri com aqueles formatinhos mutilados, em papel de péssima qualidade e impressão porca. E, quando queria algo um pouco mais bem "esmerado", não podia comprar: custava uma fortuna. Para quem não se recorda, um mero formato americano com papel LWC (nem chuchê era, às vezes), trazia na capa a informação: edição de luxo para colecionador. Eu não podia ter luxo e não era um colecionador, segundo os antigos tabelões do jornaleiro (alguém ainda se recorda?). Ou seja: ficava por fora do elitismo da Abril. Só os ricos compravam os bons gibis. Além disso, os títulos era escassos e sumiam das bancas sem demais informações.

Gosto de escrever, aqui, sobre isso. Se eu for a um fórum on line para me expressar dessa forma, sem dúvidas encontrarei alguns comentários mal educados a respeito de minhas considerações, em especial dos terroristas Disney. Sim, esse grupo existe. São pessoas que só leem gibis da Disney e atacam como podem quaisquer outras editoras que não a Abril e muitos artistas nacionais, em especial os do MSP. Não entendo a razão disso. Sei que há diversos membros desse grupo que estão na folha de pagamento da Abril - são funcionários dela, dando uma de fãs na internet. Mas o pior são alguns babões que apenas vão no embalo, a troco de nada a não ser participar de um restrito círculo de ódio gratuito.

Não compreendo como alguém pode afirmar categoricamente que tem saudades da Abril editando quadrinhos DC e Marvel, por exemplo. Não entendo, também, como alguém pode atacar os quadrinhos da Turma da Mônica apenas porque diz não gostar do Maurício de Sousa. Eu não preciso gostar do Presidente do grupo Time Warner para ler um gibi do Batman, ora. Além disso, enquanto muitos atacam as investidas empresariais da Maurício de Sousa Produções - como forma de ofender, de forma reflexa, sua produção - estão lendo gibis Disney. Isso é como um nordestino ser skinhead. Wall Disney não fundou um império sem meter os caninos na jugular do capitalismo ferrenho. Aliás, Wall Disney era um grande empresário (admirável), mas nunca foi nem mesmo um pequeno artista: ele não sabia criar, nem desenhar. Foi apoiado por uma equipe de grandes gênios (durante anos, anônimos) que o grande império do castelo da Cinderela foi construído.

Esse tema é complicado e eu gastaria muitas linhas, aqui, escrevendo a respeito. Coisa que ninguém leria, pois a grande maioria sempre prefere publicações curtinhas e já foge de algo mais quando vê muitas palavras. Mas posso resumir numa colocação: cara, seja feliz lendo o que gosta, independentemente do grupo ou pessoa que o editou. Eu leria até gibis escritos ou desenhados por Adolf Hitler, se fossem bons. Acho uma perda de tempo esses caras que vivem em fóruns virtuais, por aí, atacando determinado títulos apenas em razão do editor, realizador ou editora. Se o bagulho for bom, dê uma chace e aproveite.

É mais ou menos isso. E, novamente: que bela homenagem a daí de cima, hein?


2 comentários:

  1. Cleiton, WD não foi um artista genial, mas certamente tinha talento como criador. Vejo que o maior mérito do cara foi justamente o de reconhecer isso e agregar artistas talentosos ao seu lado para dar vida aos seus projetos com a qualidade que o mercado pedia na época. Ele não tinha tempo de ficar na prancheta desenhando (ofício que dominava sim, embora sem o brilho necessário que ele mesmo demandava), ele bolava os projetos e recrutava os profissionais competentes para realizar o trabalho. O irmão dele carregava o piano das dívidas e de conseguir grana. Acho que foi no seu antigo blogue que vi a bio do WD pelo Neal Gabler, não sosseguei até comprar o livro.
    E o Maurício de Souza sem dúvida é um criador e desenhista fantástico. Bons tempos os da Turma da Mônica na Abril. Grande abraço, fico feliz por ter revivido esse espeço.

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    1. Sobre: "ofício que dominava sim", passei a ter essas dúvidas após comentários de pessoas que mantiveram contato com ele. De acordo com alguns, até mesmo aquela assinatura bacana foi criada por uma equipe criativa.
      Mas, sobre diversos aspectos, WD foi um gênio, creio. Aliás, não apenas acredito nisso. O tempo provou!
      Estou repostando coisas do antigo blogue aos poucos. Seja bem vindo. Abraços e até a próxima!

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