domingo, 5 de março de 2017

Habibi de Craig Tompson



Dodola, ainda criança, foi vendida a um escriba. Este foi assassinado e ela levada ao  mercado de escravos, onde conhece o bebê Cam e o livra da morte, fugindo dali pouco após. Novamente, é raptada e enviada ao harém do sultão de Vanatólia (cidade fictícia). Enquanto isso, Cam (ou Zam) procura viver no vilarejo mais próximo, ganhando a simpatia de um eunuco e chegando a se tornar um deles. No meios dessa trama simples, conhecemos um pouco mais da cultura islâmica, da estética do Corão, da miséria que assola diversas nações entorpecidas pelo fanatismo religioso, da exploração sexual de crianças, da prostituição (inclusive a masculina) e do transexualismo. Sem dúvidas, uma grande HQ de Craig Tompson, que já chamou minha atenção anteriormente com Retalhos, outro belo quadrinhos igualmente publicado pela Quadrinhos na Cia.

A abordagem de Craig Tompson é um paradoxo. A religião traz dor, fomenta o ódio. Mas a fé dá a Dodola e a Zam a força para que, após sofríveis anos separados, possam se reencontrar. E a mensagem final poderia ser distribuída entre todos os radicais religiosos que só crescem a cada dia: "O santo sufi RABI'A AL-ADAWIYYA foi visto carregando uma tocha e um cântaro de água. A tocha - para queima o Paraíso; o cântaro de água para afogar o inferno; para que ambos os véus desapareçam e os seguidores de Deus venerem não por esperar recompensa, não por medo de sanção, mas por amor".

Achei interessante, sobretudo, a relevância da caligrafia na vida dos povos árabes, onde cada letra é uma obra de arte. Às vezes, o que parece uma letra é uma palavra e de amplo alcance semântico. Se você gostou do livro Retalhos, leia Habibi, é uma grande obra da nona arte e fará diferença em sua vida. A pesquisa do autor para elaboração da história foi séria e profunda. E transmitir esse arcabouço de conhecimento (e sensações) foi algo executado com louvor.




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