sexta-feira, 3 de março de 2017

A Turma da Mônica e o veganismo [ republicação de postagem de 02/26/14 do Blog do Neófito ]



Há algum tempo ando com nojo dos gibis da Turma da Mônica quanto à abordagem que fazem do consumo de carne. As revistas do Chico Bento, em especial, tornaram-se instrumento de proselitismo para a vida vegetariana, como se comer carne fosse um grande mal a ser praticado, quando é algo natural, decorrente de nossa condição de onívoros, e, outrora, possibilitou a evolução da civilização humana.

Nas histórias do Chico, Papa-capim e Piteco, sempre dão um jeitinho para evitar um abate. A tribo do Papa-Capim prefere comer frutinhas porque ferir os animaizinhos da floresta é "ruim". Piteco é um caçador de Lem que, em muitas histórias, desiste da caçada e ainda leva o dinossauro para comer alface na caverna da Thuga. E até o Chico! Quantas vezes o caipira não desistiu até de pescar por pura dó? A intenção dos estúdios de Maurício de Sousa seria até "meio nobre", se não fosse pela repetição, nos levando ao cansaço e - repito - nojo diante da tentativa de coaptar jovens leitores a um estilo de vida dissociado da realidade.


Foi por comer a carne de outros animais que o homem pré-histórico sobreviveu aos rigores da seca, da escassez de outros alimentos. Atualmente, há toda uma economia baseada na criação e consumo de carne. E essa história de dizer que os grãos que alimentam os animais de corte serviriam para alimentar toda a população mundial é balela. Primeiro, porque grande parte dos grãos destinados a animais são inservíveis aos consumo humano; segundo, porque "alimentar toda a população mundial" de maneira graciosa não faz parte da política internacional e é utopia contrária ao capitalismo que sempre regerá este pálido ponto azul. Além disso, a grande quantidade de animais para corte não pode ser posta de lado da noite para o dia. E, claro, toda a ração produzida para animais domésticos é baseada em refugo do processamento de carne de outros animais. Gatinho e cachorrinho não comem tofu e abacate!

Ao invés de gastarem energia nos gibis da Turma dando lições do "correto" modo de vida vegetariano (ou vegano), poderiam advertir acerca da necessidade do consumo racional e da necessidade em se valorizar técnicas menos cruéis de abate, a exemplo do preconizado por Temple Grandin. Mas, enfim, o que esperar de gibis onde não existem mais bandidos nas ruas, roceiros não portam armas (nem de sal) e tudo é excessivamente gerenciado, retirando toda a graça da leitura?

Os gibis acima foram minhas compras mais recentes de Turma da Mônica. E acredito que deixarei, de vez, de comprar mais qualquer título do MSP que não seja a Coleção Histórica e as graphics. Não valem a pena. Até a seleção de história para almanaques está péssima - isso quando não alteram as tramas originais para que se enquadrem na linha oligofrênica que estão seguindo.

É isso. Só queria desabafar. Abraços antropofágicos e até a próxima.

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