segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Três obras de Art Spiegelman


Você gosta de quadrinhos e desconhece Art Spiegelman? Está na hora de mudar isso. Esse grande artista norte-americano possui obras magníficas editadas em português, inclusive a edição integral de Maus, gibi ganhador do prêmio Pulitzer em 1992. Salvo engano, a única HQ, até o momento, a ser laureada por este prestigioso título. Nas imagens, destaquei a edição única de Maus, À Sombra das Torres Ausentes e Breakdowns: Retrato do Artista Quando Jovem. Estes três títulos foram publicados, aqui, pela Quadrinhos na Cia, selo quadrinístico da Companhia das Letras.

Em Maus, Spiegelman retrata os horrores da caçada nazista aos judeus, baseado nos relatos de seu pai, que foi confinado em Auschwitz, onde o povo de origem hebraica é representado como rato; os nazistas, gatos; e os poloneses, porcos. Seria interessante, hoje, que o autor elaborasse outra graphic onde evidenciasse como o nobre povo judeu aprendeu direitinho a lição, empreendendo um novo holocausto nas fronteiras no Estado de Israel, com o beneplácito da Nações Unidas.

À Sombra das Torres Ausentes é uma bela homenagem do autor às tiras dominicais dos jornais americanos do começo do século passado. E tudo editado no formato tabloide, em pranchas cartonadas. Trabalho lindo, inspirado pelo assombro que tomou conta da vida novaiorquina. As dez páginas colorida são inspiradas nos principais personagens criados para o jornalismo moderno pelos magnatas Joseph Pulitzer e William Randolph Hearst. Ao final da obra, encontramos um levantamento teórico e histórico acerca dos suplementos de quadrinhos nos grandes jornais que circulavam no início do século XX e reproduções em formato original de títulos antológicos, como, por exemplo, "Os Sobrinhos do Capitão", Yellow Kid, Krazy Kat e a encantadora criação de Winsor McCay: Littke Nemo in Slumberland.

Breakdowns: Retrato do Artista Quando Jovem reproduz uma série de trabalhos embrionários de Spiegelman. É uma boa oportunidade de ler, em páginas enormes, a clássica HQ Prisioneiro do Planeta Inferno, que aborda o suicídio da mãe do autor pouco após este receber alta da clínica psiquiátrica onde estava internado. Neste livro, vale de tudo: experimentação é o cerne dos quadrinhos produzidos no final da década de setenta, com direito até mesmo a brincadeiras abordando teorias da comunicação aplicáveis à narrativa gráfica. Para isso, cita, junto a histórias "remontadas", escritos de Susan Sontag e Victor Shklousky.


Obras de Art Spiegelman publicadas no Brasil por kleiton-alves

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O comentário aqui é anônimo e não moderado. Contudo, pense bem se vale a pena perder seu tempo postando alguma ofensa gratuita.