domingo, 26 de fevereiro de 2017

RoboCop 2014: Pago Um Dólar Por Isso! [ republicação de postagem de 05/23/14 do Blog do Neófito ]



Apenas hoje vi o remake de RoboCop (direção de José Padilha; roteiro, Joshua Zetumer). Não tinha pressa. Nunca esperei muita coisa dessa produção e, assim, não me decepcionei. É um novo filme em tudo. Um pouco da essência do icônico Robocop de 1987 está lá. Bem pouco. É um filme mais leve e político. Serve como entretenimento; não para uma recente geração, entretanto, conhecer bem o personagem que marcou mais do que uma época.

Durante toda a nova história, por exemplo, não vi uma gota de sangue explícita sendo derramada. Enquanto o Alex Murphy de minha infância foi "assassinado" (!) cruelmente, sob uma verdadeira tortura com armas de fogo antes do fuzilamento, o da nova película foi pego de surpresa num atentado à bomba. E, para esculhambar totalmente, a nova boneca cibernética utiliza uma arma de choque! Coisas de um tempo maluco onde o "politicamente correto" deve prevalecer, ao menos em ficção. Ao invés da parceira Anne Lewis, lhe deram um colega: Jack Lewis - e com pouca interação entre ambos. Penso que fizeram isso porque, sendo o novo Robocop um sujeito ainda integrado à sua família, não precisaria de mais um vínculo feminino. O sargento Warren Reed, por quem tínhamos muita empatia, foi substituído por uma chefona corrupta e sem sal. ED-209 não teve mais destaque, sendo mero coadjuvante (na verdade, dezenas de EDs, junto a outras máquinas de apoio utilizadas pela OCP (Omni Corporation) na "pacificação" de nações fodidas ocupadas pelos norte-americanos).

Além da violência, uma das maiores perdas do filme de Padilha é não abordar o poder da mídia e do consumo. Bem, o da mídia resumiu-se ao programa Elemento Novak, que promove uma lavagem cerebral da sociedade americana a favor do uso de máquinas na segurança interna. Mesmo assim, ficou aquém do papel dos telejornais bancados pela OCP, na produção original. Esta também destaca a exacerbação do consumo americano, por todos os tipos de produtos, especialmente os mais supérfluos. E tudo veiculado pela poderosa TV! Difícil não sentir falta, por exemplo, do papel do programa "PAGO 1 DÓLAR POR ISSO", que paralisava toda uma sociedade embasbacada, já desinteressada pela tomada de seu País pela corrupção, poder corporativista e caos de toda a ordem (quase um Brasil petista!).

Visualmente, contudo, o filme é legal. Com recursos digitais modernos, ousaram em mostrar a que se resumia a parte orgânica do "policial do futuro". Uma cena realmente impactante, quando lhe removem toda a armadura e Alex vê-se ao espelho, exclamando, assombrado: "Meu Deus, não sobrou nada". Além disso, as cenas de ação ficaram como roliúdi gosta: eletrizantes, ao som de músicas vibrantes. E, no cinema atual, o povo quer isso: ação, muita ação. Até porque filme mais cabeça, hoje em dia, é rotulado como produto para bacaca pseudo-intelectual metido à merda. Pois é. Num tempo onde Machado de Assis é reescrito com dinheiro do Governo para se tornar mais acessível aos preguiçosos e onde gêneros como funkoxente music sertanejo romântico vendem como banana em meio de feira-livre, esperar o quê?

Em resumo: pagaria US$ 1,00 por este filme!


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