sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Empreendendo no Brasil [ Mauá por Jorge Caldeira ]


Imagem de meu exemplar. Ele também possui figurinhas!

Jovens de alma libertária gritam aos quatro cantos que empreenderão. Ainda não trabalham, sobrevivendo às custas dos pais. Às vezes, um pai funcionário público efetivo. Mesmo assim, afirmam que imposto é roubo e que o Estado é uma gangue, onde todos os servidores públicos (políticos, assessores e bajuladores de cargos em comissão e concursados) seriam parasitas e cúmplices. Todo mundo é jogado na vala comum do parasitismo. Ninguém é poupado, muito menos o papai que banca os delírios do mancebo. Isso é lamentável, em parte: a ausência de tato com a realidade, de pés no chão e um tapa de "bem vindo ao mundo real". Por outro lado, é louvável que meninos e meninas queiram empreender. O Brasil precisa mais disso. Precisa de gente que arregace as mangas de manhã à noite, tome empréstimos, alugue imóvel, contrate, pague tributos pesados, tenha à sua porta regularmente fiscalização sanitária, de obras, fazendária, trabalhista dentre outros, notificações da Justiça do Trabalho porque o ex empregado quer danos morais por ter se sentido "pouco à vontade" durante a relação de emprego e dezenas de outras trivialidades para quem se arrisca nesse solo pantanoso.

Às vezes me deparo com famílias onde todo mundo mantem vínculo com setor público, ainda que em empresas públicas ou talvez sociedades de economia mista. Quem pagará essa conta a longo prazo? Não sei. Ninguém sabe. Só estão esperando o troço degringolar para fechar a casa. E as grandes empresas não nos socorrem neste aspecto: capitalismo de compadrio, apenas. Vimos isso com Eike Batista recentemente. Nenhuma fortuna cresce na economia contemporânea sem ser amiga do poder, com crédito fácil, proteção do mercado e gordos incentivos. Vejam bem: toda grande fortuna do planeta advoga a ideia de Estados gordos e protecionistas, pois isso as favorece e sacrifica ainda mais o pequeno empreendimento. Um dia essa bolha estoura.

Enfim: aos jovens audaciosos, leiam antes um grande manual de economia chamado Mauá: Empresário do Império, já adaptado para o cinema. A obra de Jorge Caldeira mostra o suplício de Irineu Evangelista de Sousa, brasileiro que se fez sozinho, saiu da pobreza para ostentar um patrimônio superior ao da Coroa e, sem se aliar ao Poder, foi currado de todas as formas pelo Estado voraz. E sem cuspe. Mesmo assim, ergueu-se mais de uma vez após as rasteiras. O livro é fascinante em suas quase 550 páginas com letra pequena (infelizmente). Mas se você estiver com preguiça, assista à adaptação para o cinema. Esta, aliás, estrelada pelo militante Paulo Betti, que parece não ter aprendido nada com seu papel e continua apoiando todas as causas petistas e psolistas que pedem Estado cada vez maior e esmagamento do individuo. É algo mais ou menos como Meryl Streep ter encarnado Margaret Thatcher no cinema e ter feito campanha política massiva para Hillary Clinton. Atores às vezes são como máquinas, apenas isso. Mas, aos menos, máquinas possuem lógica.

O que quis afinal com esta postagem? Recomendar o livro de Jorge Caldeira, falar da esquizofrenia de Meryl Streep e alfinetar os delírios dos garotos do maravilhoso mundo do Ancapistão. É isso. 

Abraços anárquicos.





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