domingo, 26 de fevereiro de 2017

Amor à Queima-Roupa [ Cinema ]



Um sujeito meio bobo e solitário, fã de filmes de kung fu e de Elvis Presley, há quatro anos funcionário de uma loja de gibis, acaba se casando com uma prostituta. Ao ir ao bar do ex cafetão pedir as contas da dama, acaba trazendo para sua casa, por acidente, uma maleta abarrotada de cocaína. Esse é o mote para colocar na cola do casal a máfia siciliana, polícia e produtores viciados de Hollywood. A direção é de Tony Scott, falecido no ano passado (atirou-se num rio sem maiores explicações) e mais famoso por seu ícone adolescente Top Gun (afinal, só gostamos desse filme quando somos adolescentes). Quentin Tarantino assina o roteiro sangrento de Amor à Queima-Roupa (True Romance). E o que chama mais atenção é o elenco de peso:
Christian Slater (encarnando o protagonista Clarence Worley) no auge de sua carreira, com a mesma aparência de hoje (ele tem o segredo da juventude eterna); Patricia Arquette com sua cara de menina e dentes tortos dando vida à putinha meiga Alabama Whitman; Dennis Hopper (Clifford Worley, pai de Clarence), onde mesmo sendo um dos mocinhos carrega uma expressão de dar medo; Val Kilmer mal aparece no filme, a não ser em imagens borradas, mãos e voz, dando corpo ao mentor imaginário do protagonista: ninguém menos do que Elvis Presley; Gary Oldmané o traficante Drexl, com direito a cabelo rastafári, dentes podres e olho vazado; Brad Pitt ainda nem sonhava em ser o grande astro que se tornou. Aparece poucas vezes, quase sempre deitado no sofá fumando maconha ou pedra; Christopher Walken fantástico, falando italiano para interpretar Vincenzo Coccotti; Samuel L. Jacksonmal aparece e morre em menos de cinco minutos; James Gandolfini antes de tornar-se Tony Soprano vive o sanguinário capanga Virgil.
Destaque para o bem humorado diálogo entre Christopher Walken e Dennis Hopper sobre os sicilianos terem sido "criados" pelos negros, há vários séculos! Um conversa digna de Tarantino, com direito a balaço na cabeça ao final.

O filme começa no inverno rigoroso de Detroit e se arrasta para o sol escaldante da Califórnia. A mudança brusca de paisagem parece mudar até mesmo o ritmo do filme. Uma ótima sacada do diretor e roteirista, assim como a evidência dada ao mundinho escroto hollywoodiano.

Esse é aquele tipo de filme despretensioso, para se ver sem esperar tanto dele. Uma ótima escolha de entretenimento para tarde morta de domingo ou início de madrugada. Todos os elementos dos filmes de amor/suspense/aventura do começa da década de '80 estão ali, com direito a um final feliz.  Mas o filme é, na verdade, do começo da década de '90. Recomendadíssimo!


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