terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A Festa de Ziraldo



Em 05 de novembro de 1968, houve a quadragésima eleição dos Estados Unidos da América para escolha de seu Presidente. Três eram os candidatos: Richard Nixon (em busca da reeleição), Hubert Humphreye George Wallace. Não é preciso dizer que o republicano Nixon ganhou, para ver sua carreira política afundar, mais à frente, em razão do escândalo de Watergate. Na Embaixada americana em Brasília, na noite das eleições, houve uma festa, onde todos os convidados poderiam beber à vontade, comer cachorro-quente e votar de mentirinha para Presidente. Por telex, a contagem de votos nos EUA iriam chegando. Noutro ponto do Planalto Central, o Presidente da República receberia a Rainha Elizabeth II, no Palácios dos Arcos. Finda a recepção à Sua Majestade, boa parte dos convidados se dirigiram à comemoração norte americana. Ziraldo esteve lá e, em 1969, publicou o livro que compartilho nesta postagem.

Gosto de um pensamento de Saul Steinberg onde se diz que, se os escritores soubessem desenhar, não haveria literatura. Em A Festa, Ziraldo nos deu uma crônica divertida e inteligente daquela noite única ocorrida na Capital federal, apenas com desenhos e poucas palavras. Para entender melhor o momento, assumo que precisei pesquisar um pouco, pois não há muita introdução ao volume (apenas uma breve apresentação escrita por Steven Monroe e meia dúzia de palavras de Ziraldo). Mas, conhecido o momento histórico, é um grande prazer passear por aquela noite na companhia de Ziraldo, um grande humorista - segundo Steven Monroe, "um dos melhores do Brasil e do mundo".

Consegui meu exemplar em um sebo, autografado e com dedicatória. Acredito que ninguém se livraria de um volume desse. Creio que foi "pilhado" de alguma biblioteca após a morte do proprietário. Um livreiro esperto sem dúvida alguma compraria um "livrozinho encardido e sem importância como esse", certamente pagando uma ninharia. Uma pena o que fazem com livros de uma família, após os falecimentos de alguns de seus membros. Gostei, em especial, de ter encontrado o exemplar em muito bom estado, inclusive com a sobrecapa; e esta é importante, considerando que o encadernado não tem ilustração impressa na capa dura. O papel é de ótima qualidade e não amarelou demais com o tempo. Um jóia em minha coleção! Adoro essa obra magnífica de um autor genial.

Não vou escrever tanto aqui, pois noto que pouca gente se interessa por postagens longas. Assim, seguem imagens desse volume, onde algumas legendas explicativas se fazem necessárias. Sei que o cartum morreu, assim com a pubicação de livros de arte vem dando seus soluços finais. Mas recomendo conferir um pouco desse trabalho pontual de Ziraldo.






Um comentário:

  1. bem vindo de volta!

    vou acrescentar uma nota ao post do fim do antigo blog.

    abç!

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