sábado, 15 de abril de 2017

The Walking Dead até agora e sua lição



Concluí hoje a sétima temporada de The Walking Dead. É uma série estendida mais do que deveria. Poderiam ter enxugado o roteiro e concluído tudo isso ao menos duas temporadas a menor. Agora é aguardar pela oitava e última parte dessa criação dos quadrinhos levada à TV que nos deu uma grande lição: não importa de que maneira haverá o colapso da civilização; após a hecatombe nuclear, natural, biológica ou seja qual for, o inimigo será sempre o outro.

TWD não caminhou no lugar comum de que todos nascemos bons e a sociedade nos corrompe. Somos contaminados com o pecado original; e apenas com disciplina, vida em sociedade, ordenamento moral e seu controle natural - e, claro, muita meditação e força de vontade - tentamos nos tornar melhor. Os sobreviventes do apocalipse zumbi se virariam bem depois do choque inicial. Os caminhantes são lentos e dá pra se manter seguro atrás de muros, plantando, colhendo e criando alguns animais. Os problemas sempre foram os vivos, desde a fuga da fazenda no início, passando pelo presídio atacado por um ex detento e pelo Governador até chegar aos pequenos povoamentos constantemente explorados e atacados por Negan.

Ler as HQs de Robert Kirkman e a adaptação para a TV por Frank Darabont me trazem à mente dois romances essenciais (ao menos para minha formação) sobre a natureza humana originalmente cruel. O primeiro deles é O Senhor das Moscas de William Golding, onde crianças deixadas à própria sorte num ambiente inóspito se tornam selvagens em pouco tempo. O segundo é A Dança da Morte de Stephen King. Aliás, vejo elementos em comum entre este último livro e a adaptação de Darabont. Só lembrando que este cara adaptou muitas obras de Stephen King para o cinema, incluindo Um Sonho de Liberdade e À Espera de Um Milagre.

A sétima temporada termina com o gancho para a grande batalha entre as tropas de Negan e os demais sobreviventes e foi dedicada à memória de Bernie Wrightson, cocriador do Monstro do Pântano. Precisei baixar, por conta, tanto esta quanto a sexta, pois a Netflix estacionou bastante tempo na quinta, o que é uma pena. Ainda acho difícil compreender porque, mesmo com tanta tecnologia à nossa disposição para acessar conteúdo protegido por direitos autorais, empresas de entretenimento mantém-se amarradas a contratos obsoletos para disponibilizar seriados de maneira mais rápida na Netflix.

Enfim, é isso. No aguardo da conclusão. Abraços errantes e até a próxima.

Queria ter assistido a esta série ao lado de minha "Lori". Contudo, ela também está morta para mim.